sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Manganês. Introdução

INTRODUÇÃO

A história do Amapá e de sua capital Macapá começou a ser documentada a partir do século XVI, quando navegadores portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e holandeses disputavam o controle político e comercial dessas terras situadas ao norte do Rio Amazonas. Somente por volta de 1647 Portugal teve sua soberania reconhecida, foi então que Sebastião Lucena de Azevedo, Governador do Maranhão, promoveu uma expedição contra os últimos redutos estrangeiros existentes na região.

Um pouco mais de um século depois Mendonça Furtado elevou Macapá, antes povoado, à categoria de Vila de São José de Macapá, em 04 de fevereiro de 1.758. Após três anos inaugurava-se o mais antigo monumento da cidade de Macapá: a Igreja de São José de Macapá. Constituem as origens do Amapá, esses colonos degredados de Portugal (bandidos, prostitutas, presos políticos, negros africanos ou oriundos da Bahia e do Rio de Janeiro, além dos índios que já habitavam o local a milênios).

A construção da Fortaleza de São José de Macapá e consequentemente a sua inauguração em 19 de março de 1.782 dificultou os ataques dos franceses, que insistiam em resistir, estabelecidos na vizinha Guiana Francesa. O forte levou 18 anos para ser construído e era o maior do Brasil colonial. Em 2007 este monumento foi eleito uma das 7 maravilhas do Brasil. O título maravilha do Brasil se deve por seu valor histórico sua beleza exuberante contornado pelo Rio Amazonas e pelas charmosas praças Beira Rio e Parque do Forte. 

O baixo Amazonas sempre foi muito cobiçado e o povoamento por luso brasileiros seria a única resposta à ambição daqueles estrangeiros. Mesmo após a Independência de 7 de setembro de 1822 o Brasil continuava enfrentando problemas de fronteira com a França que disputavam a região entre o Rio Oiapoque e o Rio Araguari que corresponde quase à metade do território Amapaense.

Os conflitos acentuaram-se ainda mais a partir de 1894, quando se deu a descoberta de ouro em Calçoene. Este fato motivou ainda mais a presença de norte-americanos e europeus especialmente franceses que se instalava às cabeceiras do rio. O cenário destas questões litigiosas com a França foi o município do Amapá. Nos episódios diplomáticos e de enfrentamentos militares que culminaram com a conquista brasileira desse território, destacou-se a figura de Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, que por seus atos de bravura tornou-se figura heróica do Estado. Por fim, em 1900 a brilhante defesa do Barão do Rio Branco, o presidente Hauser, em luminosa sentença, decidiu o litígio em favor do Brasil no tratado da Suíça. As terras em questão foram definitivamente concedidas ao Brasil mas isso não encerrou as pretensões francesas ao território. 

As terras do Amapá foram transformadas em território nacional em 1943, depois de terem sido separadas do Estado do Pará. Três anos após a criação do novo território federal foi descoberto uma jazida de alto teor de manganês no Amapá. Em Janeiro de 1957 com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek ocorreu o primeiro carregamento de manganês que saiu das terras do Amapá e embarcou no navio Areti-XS – Baltimore, levando 9.050,05 toneladas de manganês do Porto de Santana. Do município de Serra do Navio foram extraídos e exportados 35 milhões de toneladas do minério, o suficiente para encher 1.166 navios, o que serviu para abastecer principalmente o mercado norte-americano.

No século XIX as principais cidades da Amazônia viveram o apogeu do ciclo da borracha, nativa, extraída dos seringais para abastecer a emergente indústria de pneus no mundo. Já no século XX surge uma nova tentativa de construir um novo império, no município de Laranjal do Jarí onde foi implantado o Projeto Jari, ambicioso programa do mega-empresário norte-americano Daniel Ludwig, ligado à exploração de madeira, ao cultivo de arroz e à produção de celulose, na década de 60. Apesar do grande investimento, o projeto não se consolidou.

Em 1988, o então Território do Amapá foi transformado em Estado e a partir desta data passou a ser um dos estados que mais se desenvolvem no norte do Brasil. Desde o descobrimento do Brasil, a Amazônia é alvo preferencial da cobiça estrangeira devido sua multi-riquezas. Muito já se escreveu sobre o assunto. Assim, só nos resta relembrar alguns episódios que julgamos de maior relevância na caracterização do desejo em internacionalizar a região. Não são poucos os que lutam e nem serão esquecidos os que deram a própria vida para que um dia esse pedaço do Brasil, duramente conquistado num passado heroico, continue sendo protegido contra os que visivelmente tentam usurpar a nossa soberania.

Um comentário:

  1. Parabéns! Os brasileiros não tem conhecimento da sua própria história. Acredito que essa história sobre o manganês vai ser bem interessante. Vou ler! Só essa introdução já me faz ter uma ideia de como vai ser engrandecedor conhecer sua história. Bjos e Boa sorte!

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