sábado, 10 de dezembro de 2011

Amigos leitores, eu estou todo tempo escrevendo a continuação da minha obra, fazendo a atulização do Capitulo 1 da obra Manganês. Pra quem tá gostando de ler saiba que a continuação aparece sempre na sequencia do texto cada vez que eu faço uma atualização. Ok! Verifiquem lá! E boa leitura
Hoje sem querer achei um blog chamado Leituras do Giba, do jornalista Gilberto Pereira. Achei interessante que na sua apresentação ele reverencia a literatura. Estou postando embaixo esta citação.
"O jornalismo é meu sustento, o que me permite existir, mas o que me salva é a literatura. A literatura me salva todos os dias."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Na aula de cultura brasileira da universidade Estacio de Sá foi levantada uma questão muito interessante. Quando nos perguntamos se a cultura não seria uma imposição perante a necessidade de nos justificar diante de outros povos e de outras sociedades? Todos os cidadãos participavam deste processo? Será que nos dias atuais nos participamos daquilo que afirmamos ser a nossa identidade? Voce construiu a sua identidade de brasileiro?Ou ela é simplesmente um dado da sua familia, da escola, dos meios em que voce vive e até mesmo geograficamente por sermos um país tropical?

Fica aí uma reflexão. Poste seu comentário se puder. Dê sua opnião sobre as questões aqui citadas. Levando em consideração que o Brasil que é vendido é um país muito prazeiroso, de muita dança, de um povo alegre, que vive rindo, que só vive sambando. Ignorando até mesmo as nossas próprias mazelas. Tudo isso é identidade ou imposição?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Manganês. Capitulo 1

Capítulo 1


O Território dos refugiados.


Depois de relembrarmos os episódios históricos do Estado do Amapá e de sua capital Macapá vamos nos aprofundar nos anos que antecedem a transformação do território federal do Amapá em um novo estado brasileiro. Uma fase importantíssima no desenvolvimento do Amapá que data desde 1943 o ano em que se tornou território nacional até 1988 quando enfim se tornou o mais novo estado da federação brasileira, até então.
O ano é 1943 chegava ao Amapá o casal Otília e João vindos do estado do Pará. Seu João se encrencou politicamente no interior do estado do Pará, se opondo aos desmandos de um terrível coronel que se mostrava poderoso e cruel. Com medo de sofrer perseguições abandonou sua vida estável para recomeçar do zero em terras que jamais havia pisado antes. Dona Otília com sua formação em magistério logo se tornou professora. João era artesão e confeccionava vários produtos artesanais. O artesão, apesar do pouco estudo se interessava muito por politica.
Neste mesmo ano o Amapá se tornava território federal, começava então, uma fase de crescimentos e descobrimentos que só ajudou este casal ter mais esperança no futuro. Sem casa para morar, as pessoas que chegavam eram hospedadas na Fortaleza de São José que funcionava como abrigo para os imigrantes. Otília deu a luz a terceira filha do casal ali mesmo no forte. Isadora foi a primeira criança branca a nascer no forte. Para qualquer Amapaense tem muito significado nascer na Fortaleza de São José de Macapá que foi cenário de grandes vitórias, em tempos de grandes conquistas.
Naquela época, parecia que ainda se ouvia o grito dos escravos no interior da fortaleza. Aquelas paredes intransponíveis jamais deixou sair dali as lagrimas derramadas, os sussurros de dor, os gritos desesperados, as almas das vidas desperdiçadas de pessoas que com pés e mãos sangrando ergueram aquela maravilha. Almas que vagavam e que quem sabe até hoje ainda permanecem lá. Daqueles que perderam suas vidas nos dezoito anos de construção do forte. Daqueles que deram suas vidas para defender nosso território. Otília lendo os documentos daquele período entendeu porque muitos negros viviam ali como se ainda vivessem o tempo de escravidão, não a escravidão do corpo, mas a escravidão da alma. Isadora era apenas um bebê, mas já demonstrava sua simpatia pelo samba, batuque e marabaixo. Quando a preta velha Guiomar mais conhecida como “Tia Gui” cantava para pequena dormir o sono vinha rápido e era longo.  

Dezoito meses depois o casal ganha a casa prometida pelo governo. O aconchego de uma vida pacata era tudo que João e Otília estavam querendo naquele momento. As filhas Isaura, Isabel e Isadora cresciam em um lar feliz, mas com uma criação bastante rigorosa. Isaura era mais velha, e portanto, a que carregava a responsabilidade de ajudar Otília. Isabel era a filha do meio, aquela que não tinha grandes responsabilidades mas que sempre se espelhava na irmã mais velha. Isadora, além de mais nova era também espevitada. Otília não escondia o desejo de largar a escola e se dedicar somente à criação das filhas. Ela sentia que estava perdendo o controle sobre a espevitada Isadora. Mas João não poderia sustentar a casa apenas com seus artesanatos, seria preciso arrumar um emprego mais sólido.

Certo dia João estava no mercado central oferecendo seus artesanatos. Se esforçando para levar um dinheiro extra para casa. De repente um caboclo que morava na floresta apareceu com pedaço de pedra cinzenta para mostrar ao pessoal da cidade. Aquele pedaço de pedra pesado de cor grafite deixou muita gente intrigada, pois até então nunca ninguém havia tido contato com qualquer espécie daquele minério.

João sabia que o governo estava numa campanha para descobrir algum tipo de riqueza mineral que pudesse vir a gerar as divisas que o novo território iria precisar para sustentar seu desenvolvimento. E comentou com o caboclo que o governo estava oferecendo vários incentivos para que as pessoas garimpassem o território à procura de jazidas. O caboclo não pensou duas vezes e se dirigiu à sede do governo. A curiosidade pra saber como se chamava a tal pedra e a esperança de lucro com o achado era tão grande que João correu atrás do caboclo para não perder o seu rastro.

Na sede do governo o espanto era grande, pois a pedra quebradiça era muito parecida com ferro, mas era preciso analisar antes para saber se havia alguma possibilidade de lucro e não demorou muito para descobrirem que se tratava de manganês. Em todos os continentes do planeta, o aço ganhava uma importância irrefutável, tanto na recuperação do que foi danificado nas batalhas quanto na produção de bens de consumo duráveis. 

Enfim no ano de 1946 foi descoberta uma das maiores reservas de manganês do planeta, em plena floresta amazônica. O lugar era repleto de morros cobertos pela floresta e a montanha de manganês lembrava o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Alguns diziam que a jazida parecia um barco flutuando no meio do mar, outros juravam que a rocha parecia a proa de um navio. Daí surgiu o nome Serra do Navio.

O governo federal, após constatar que a jazida era de alto teor incumbiu a administração territorial de fazer estudos sobre o seu aproveitamento e exploração. O governo cedeu a jazida através de licitação pública, onde o grupo vencedor Indústria e Comércio de Minérios (Icomi),  obteve parceiros nos Estados Unidos. Os trabalhos de prospecção duraram cerca de dois anos cujos resultados foram satisfatórios a ponto de garantir o investimento americano no projeto. Até mesmo porque o advento da Segunda Guerra Mundial obrigava aquele país a buscar novas jazidas de manganês, metal muito utilizado pela indústria bélica. Pois foi então definido um projeto onde constava a construção de uma vila em plena floresta.

João não poderia ficar de fora deste programa. Desde o primeiro vestígio de manganês encontrado pelo caboclo da floresta que o artesão vinha acompanhando cada passo do governo rumo à exploração do minério. Graças a articulação de João que ele foi apresentado a Half Medelin, engenheiro responsável pela construção de todo complexo de Serra do Navio, inclusive da estrada de ferro que seria indispensável para o transporte do manganês. 

Em 1954 João começa a trabalhar na construção desta que foi a primeira e única estrada de ferro do estado. Half Medelin, ao perceber que João era bastante ouvido na região, o nomeou seu porta-voz. Para os estrangeiros a maior dificuldade depois da comunicação, foi sem dúvida o choque cultural. Até mesmo para os brasileiros vindos de outros estados como Rio de Janeiro e Bahia foi complicado lidar com os caboclos e ribeirinhos. Homens sem nenhum traquejo social. Isso sem falar dos índios que quando não eram hostis, eram pouco preparados para o tipo de trabalho. Apesar da pouca qualificação dos homens da Amazônia o que mais preocupava Half Medelin era um surto de doenças tropicais, do tipo malária. Outro grande desafio foi enfrentar o calor descomunal que faz nesta região que é cortada pela linha do equador. Muitos desistiram ao perceber que os perigos da selva eram muito mais aterrorizantes que se deparar com uma onça pintada ou mesmos cobras. Obvio que alguns gostaram da vida selvagem ao extremo e construíram suas vidas no Amapá. Afinal, resistir aos encantos das índias amazônicas não é nada fácil.

Em Janeiro de 1957 toda estrutura necessária para valorização das reservas de Serra do Navio já estava erguida. A estrada de ferro com 193 quilômetros de extensão. A Vila de Serra do Navio com 334 casas residenciais. Alojamento para os operários. Dois clubes sociais. Escola de ensino fundamental para as crianças. Hospital. Igreja. Restaurantes. Centro Comercial. E na Vila Amazonas, às proximidades do Porto de Santana foi construída quase a mesma estrutura. Ou seja, nas duas extremidades da estrada de ferro a estrutura estava montada para uma das maiores operação de extração de minérios do mundo. Progresso! era a palavra que mais se falava em Serra do Navio e consequentemente na capital Macapá. 

Habitação, Educação e Saúde era uma realidade vivida pelas famílias que viviam em Serra do Navio. Realidade que permitiu que Otília largasse o emprego de professora e se dedicasse totalmente à criação das filhas. João ganhava um bom salário e poupava um terço em benefício da educação futura das filhas. Neste mesmo ano de 1957 Isaura completa 18 anos e vai cursar Pedagogia em Belo Horizonte. No ano seguinte Isabel com 17 anos vai morar com a irmã na capital mineira para cursar Letras. Em 1959 com apenas 16 anos Isadora consegue convencer seus pais que morar com as irmãs é a melhor opção para o futuro dela. Para um casal humilde da Amazônia a maior alegria que poderiam viver na vida era vê suas filhas formadas retornando ao Amapá. Era muito mais que poderia esperar um pobre casal de poucos recursos. E tudo isso, só foi possível graças ao manganês encontrado em Será do Navio, que garantiu ótimo salário para homens sem perspectiva de vida como João.

Os anos foram passando e Isadora não queria voltar ao Amapá nem mesmo de férias. Nos primeiros anos ela foi visitar os pais porque era menor de idade e porque ainda não estava cursando uma faculdade. No ano seguinte já na faculdade ela conheceu um lindo rapaz de família rica, chamado Carlos. De quem ela não queria se afastar nem por um dia. Os dois cursavam física e formavam o casal nota dez da turma. Dez em notas obtidas e dez em popularidade. Isadora sabia calcular quase tudo em sua vida menos o risco que estava correndo quando planejou engravidar de Carlos para forçar um casamento. O plano da gravidez deu certo, porém o casamento não aconteceu. O rapaz  estava desconfiado que Isadora estava gravida e se tornar pai tão novo foi uma ideia assustadora para ele. Quando Isadora decidiu revelar sua gravidez, encontrou somente uma carta de despedida escrita por Carlos.

Isadora sabia que podia contar com suas irmãs sempre. Era um momento triste que jamais ela pensaria em viver, mas decidiu enfrentar de frente o problema que ela mesma criou. Isaura disse que a bolsa de estudo que ela recebia do governo serviria para comprar o enxoval do bebê, e que, como ela estava cursando a segunda faculdade ela poderia arrumar um emprego para ajudar nas despesas médicas. Dora, como era chamada carinhosamente, sorriu para irmã e concordou para não deixa-la preocupada.

No outro dia, Dora chega saltitando de alegria, dando a noticia que estava sendo contratada por um armazém, os supermercados da década de 60. Ela estava empolgada porque iria começar naquele mesmo dia o treinamento para aprender a utilizar a maquina registradora. Ela tinha mesmo muita facilidade com números. Em pouco tempo ela já estava dando aulas de contabilidade para o seu patrão. Gastos, versos investimentos, versos lucro. Aquela menina era um prodígio. Ninguém podia segurar Isadora quando estava determinada a alcançar seus objetivos. E naquele momento seu objetivo era ter seu filho ou filha, e, cria-la da melhor maneira possível.
  
Isabel após concluir o ensino superior voltou para o Amapá. Das três irmãs, ela foi quem menos se habituou a uma cultura tão diferente. Bel nasceu e cresceu no Amapá e nunca colocou os pés em outro lugar que não fosse terra amapaense. De repente se mudou para o suldeste deixando seus pais e toda aquela vida pacata. Foram os quatro anos mais difíceis da vida dela. Acordar e não tomar café com farinha de tapioca. Aquele típico pirão de açaí no almoço. Aquelas noites enluarada onde todos vão para fora das casas ouvir as histórias dos mais velhos. Isabel sentia falta até dos contos macabros que ouvia antes de dormir.

As irmãs combinaram que Bel era quem iria revelar para seus pais que Dora estava esperando um filho. Assim ela o fez. Otília recebeu muito mal a noticia que sua filha mais nova ia ser mãe solteira. Isso realmente era o fim para a matriarca que sempre educou com rigor as três filhas. Sempre foi uma exigência que as moças obedecessem os mais altos padrões de comportamento e de moralidade. Bel explicou para sua mãe que Dora havia mudado muito com a gravidez e mudado para melhor. Responsabilidade e serenidade vieram junto com a maternidade, argumentou Isabel. Mesmo Assim, Otília se dizia irredutível e não queria aceitar Dora com a criança em sua casa. Naquela época era comum o PAI agir dessa maneira. Otília vivia em conformidade com todos as regras de uma sociedade machista, mesmo casada com um homem de idéias contemporâneas como João.

Depois que o bebê de Isadora nasceu Isaura viajou para procurar Carlos, mas não conseguiu encontrar o pai de sua sobrinha. Então a criança foi registrada apenas por sua mãe que lhe deu o nome de Carolina. Dora mesmo com um bebe não abandonou a faculdade e continuou se esforçando para se formar. Mais dois anos e Dora estava pronta para voltar para o Amapá e enfrentar o desprezo de sua própria mãe.

Este dia chegou. Isaura e Isadora chegaram sem avisar. Com os cabelos tingidos de ruivo e mini saia Isadora não se parecia nada com aquela menina sem vaidade que era igual um garoto. Otília disse na mesma hora que sua casa ficaria parecendo um hospício com a presença daquela “estranha criatura”. A personalidade forte de Dora não impedia que ela tivesse os seus roupantes de crise de identidade. Ou quem sabe até ela queria “causar”como ela costumava dizer quando queria mesmo chamar atenção. Na pequena Vila de Serra do Navio Isadora era celebridade. Com pouco tempo ficou evidente que a transformação no visual de Dora representava apenas as novas tendências da moda que as grandes capitais seguem à risca. E que a grande mudança foi no seu comportamento com a família, pois estava mais atenciosa e carinhosa. Foi difícil para Otília perdoar, mas a pequena Carol amoleceu o coração da matriarca.

A  nossa história chega na década de 70 e a exploração do manganês estava indo de vento em poupa. Os depósitos de manganês da Serra do Navio eram muito bem localizados em escala global. Em relação aos competidores o Amapá ficava mais próximo da América do Norte o seu principal mercado consumidor. Isso facilitou muito o escoamento do minério que era explorado dia e noite sem interrupções, embora o contrato estabelecesse período de 8 horas por dia no prazo de cinqüenta anos para a Icomi explorar a jazida.

As três irmãs dividiam a casa de Macapá. Em pouco tempo estavam todas empregadas no governo federal. Isabel era professora de língua portuguesa. No mesmo ano Isaura foi convidada para ser chefe do departamento de educação do território, cargo que corresponde hoje à secretaria de educação do estado. Enquanto Isadora chefiava as finanças do Órgão da Legião Brasileira de Assistência (extinta LBA) no estado. Isaura vendo Isadora com uma filha linda e Isabel noiva, prestes a casar. Sentiu uma sensação de dever comprido. E junto um desejo de formar sua própria família. Era o curso natural das coisas. Bem empregada, independente e amadurecida o suficiente decidiu se casar com Ernesto, um rapaz que havia conhecido pouco mais de três meses. João entendeu que Isaura já tinha feito tudo para se tornar uma profissional de sucesso, investir agora na vida pessoal era mais do que aceitável, mas se preocupou com o fato do namoro ser muito recente. Já Otília, se preocupou com o fato de Ernesto ser 11 anos mais novo que sua filha.

A vida no Amapá é calma mas Isaura nunca mais terá paz. A guerra entre seu noivo Ernesto e sua mãe está prestes a começar. Otília fez tudo que estava ao seu alcance para impedir que sua filha se casasse. Sugeriu que a filha viajasse para fora do país. Mas Isaura respondeu que estava muito bem em Macapá e que havia passado muito tempo fora e que era hora de criar raízes. Que Ernesto iria lhe fazer infeliz, qualquer um podia ver, menos uma mulher apaixonada como Isaura. Mesmo nos anos 70 era um escândalo uma mulher se casar com um homem bem mais novo. Naquela época, não existiam tantas mulheres no comando e Isaura estava a frente de um grande órgão público, um cargo muito cobiçado. Seu casamento foi bastante comentado na cidade. O dia do enlace chegou e realmente tudo foi feito com muito bom gosto.  A igreja decorada com lírios, o tapete vermelho, as damas de honra e o vestido com o véu tão longo quanto a língua dos fofoqueiros  que não paravam de comentar um fato que ninguém esperava, no lugar da mãe da noiva não havia ninguém. João enfrentou ao lado da filha que ele mais amava, os olhares e as criticas dos convidados. E aquele lugar vazio no altar deixava bem claro que Otília não aceitava o casamento de sua filha. Isso deu o que falar durante a recepção que aconteceu para 200 pessoas no Circulo Militar. João, até tentou dar uma desculpa, a que sua esposa teria passado mal de ultima hora, mas a desculpa não colou. Isaura que achava que estava apenas realizando um sonho, em pouco tempo viu esse sonho se transformar em pesadelo. 

A mascara de Ernesto caiu logo. Até quem achava que ele era o cordeiro percebeu logo que se tratava de um lobo. Seu lado conquistador ganhou mais fama que Half Medelin, a Icomi e o manganês juntos. Apesar de bem empregado e bem casado Ernesto não estava satisfeito, ele tinha outros planos pra vida dele que não era muito bem seguir uma carreira profissional, muito menos de pai e marido. Com a gravidez de Isaura ele aproveita para convencer a esposa que ele deve pedir demissão do emprego e ficar em casa cuidando do primeiro filho do casal. Viver às custas da mulher é o que ele mais quer. A insegurança e o ciúme fez Isaura aceitar sustentar a casa sozinha, ela acreditou que assim o marido se tornaria mais caseiro, e que com isso acabariam as fofocas. 

O bebê nasceu e se chamou Mauro. Era tudo perfeito para Ernesto, a mulher apaixonada, bem financeiramente, um filho macho como ele sempre quis e ainda por cima com tempo livre para se dedicar as suas conquistas. O cafajeste estava cada vez mais descarado se engraçando até com a empregada da casa, mas como esta não deu confiança pra ele foi logo despedida.

O canalha decidiu então iniciar uma seleção para a escolha da nova empregada. Ele despedia e ele contratava moças bonitas e atraentes, mas quem não aceitava se tornar amante dele não conseguia o emprego. Então, ele vivia o seu melhor momento com uma boa situação financeira pra se gabar, uma mulher inteligente, bonita, bem relacionada satisfazendo todos os seus caprichos e que confiava plenamente nele. É, os deuses estavam realmente conspirando a seu favor.
Os cochichos em volta de Isaura eram constantes, caíram muitas criticas sobre ela pelo fato dela ter se casado com este homem muito mais novo e também pelo fato dele ser sustentado por ela. Mas o que mais dava o que falar eram as traições constantes do garanhão.
Dois anos se passaram até que Isabel conta para Isaura que está gravida. Isaura também estava gravida e se mostrava sempre otimista em relação ao seu casamento. Sabia que críticas cairiam sobre ela, mas não se abalava porque Ernesto a iludia muito dizendo que ia mudar. Ficou aliviada porque a gravidez de Isabel iria dividir a atenção e preocupação de sua mãe. E foram dar a noticia juntas para seus pais. Isaura tinha certeza que sua mãe  não lhe parabenizaria tanto por essa nova gravidez.  Como realmente aconteceu depois do caloroso abraço que Otília deu em Isabel virou-se para Isaura e disse:
– Espero que esse segundo filho devolva à Ernesto o juízo e a vergonha na cara. Se é que ele teve algum dia e saiu da presença das filhas que ficaram no mais absoluto silencio. Esse silencio era de  perplexidade com palavras tão duras, mas verdadeiras como sempre. Isaura tentou disfarçar sua tristeza e suas irmãs tentaram justificar a atitude da mãe.
– Eu sei que a mamãe é dura às vezes. Ela só está muito preocupada com o fato de você manter a casa sozinha Isabel apertando as mãos de Isaura firmemente, como quem quisesse transmitir forças para a irmã.
– Não é só isso, não. È que todos nós já estamos cansados desses boatos. Cansados de ver a Isaura se matando de tanto trabalhar, pra depois saber que seu marido está se divertindo com outras mulheres e até mesmo dentro da sua própria casa. Isadora falou indignada tentando provocar algum tipo de reação na irmã.
– Olha Isadora, a gente não tem certeza de nada Isabel tenta acalmar os ânimos, franzindo a testa para Dora.
– Não estou querendo te deixar estressada Isa, mas, alguma coisa ele deve aprontar. Por  que não volta a trabalhar pra te ajudar irmã Dora insiste em abrir os olhos da irmã
– É, mas agora eu vou precisar de novo dele lá em casa cuidando desse daqui que vai nascer Isa o defende.
– E se for mulher? Você já pensou se ele vai querer cuidar desse bebê se for mulher? Isabel esboçou preocupação.
– Do jeito que ele é machista é bem capaz de afogar a criança na banheira se nascer mulher. Fica esperta minha irmã! Dora era a única que tinha coragem de dizer o que pensava sem medir palavras.
– Não gente! Vocês tratam Ernesto como se ele fosse um monstro, um criminoso, um ser inescrupuloso. Ele tem muitas qualidades e será que ninguém vê as qualidades dele? Isaura tenta defender o marido

Os meses passaram e nasceram as duas primas em dias diferentes, mas todas no mês de Outubro. A filha de Isabel se chamou Eloísa, a filha de Isaura se chamou Manuela. A família teve a primeira amostra de loucura de Ernesto com nascimento de uma menina ao invés de um menino. Ao perceber o desequilíbrio de seu genro, Otília praticamente se mudou para casa de Isaura tentando evitar que ele fizesse uma loucura daquelas de afogar a criança na banheira. Isaura também percebia sua crueldade e ficava com medo, mas sua paixão por ele era tão forte que ela fingia não acreditar que ele fosse mesmo capaz, e mesmo, ele maltratando a filha deles ela aceitava tudo calada. Ernesto se sentia vigiado pela sogra e toda vez que olhava pra Manuela quem ele via era D. Otília isso lhe dava mais raiva da criança. Em nenhum momento Isaura defendia a filha das maldades do marido. Agressões que no momento eram verbais e psicológicas, logo evoluíram para agressões físicas. 

Essa moleca não para de chorar um minuto Ernesto grita com Isaura Pega a tua filha Isaura senão eu vou dar um banho gelado nela que ela vai se arrepender de ter nascido
Deixa de ser ignorante Ernesto toda criança chora, os adultos é que tem que ter paciência e descobrir o motivo do choro Isaura corre para pegar sua filha
– O motivo do choro dela é que ela nasceu muito feia, por isso ela chora.

Enquanto na casa de Isaura viviam momentos difíceis, na casa de Isabel tudo era paz e alegria, junto com seu marido Salvador pareciam estar vivendo uma segunda lua de mel. Isadora estava também muito feliz apesar de ser mãe solteira, sua filha Carol lhe trouxe paz de espírito e amadurecimento.

Oito anos se passaram e Manuela crescia vendo seu pai trair sua mãe descaradamente com as empregadas e babás. Já era entendida suficiente pra reprovar o autoritarismo e o falso moralismo de Ernesto. Mas o pior mesmo era viver sob o olhar fulminante de ódio vindo do próprio pai, ouvir palavras de maldição e nunca de carinho, crueldades que marcaram a infância de Manuela. Quantas vezes, diante do desprezo dele Manuela se questionou o motivo de tanto ódio. Ela admirava suas tias e adorava as primas, mas não podia visitá-las. Isaura era escrava de Ernesto e vivia como uma prisioneira. Só saia para trabalhar porque tinha que sustentá-lo. Ela renunciava tudo por ele, não tinha vida social, não proporcionava aos lazer aos filhos. Cada vez que recebiam uma visita Manuela ficava trancada no quarto por ordem de Ernesto. Tudo era motivo de castigar a pequena e sem falar das surras que eram constantes. Todos tinham muito medo dele menos Isadora e Carol. O garanhão queria se aventurar até com a cunhada, mas ela o colocava no seu devido lugar. Carol era a única que podia salvar Manuela da solidão, sempre que ia passar o fim de semana na casa da prima. O carrasco não poderia tratar mal Carol porque corria o risco de ser desmoralizado por Isadora e até mesmo processado, vontade não lhe faltava porque via o quanto a sobrinha era maltratada por ele. A menina não se sentia confortável em seu próprio lar, não podia transitar livremente pelos cômodos da casa. Apenas saia do quarto para a cozinha. Isaura ficava aflita de medo de alguém perceber o que se passava em sua casa, mas nada fazia para mudar a situação. Tudo isso, contribuiu para formar uma menina cheia de medos e traumas mas o pior foi a desagregação familiar.



Manganês. Introdução

INTRODUÇÃO

A história do Amapá e de sua capital Macapá começou a ser documentada a partir do século XVI, quando navegadores portugueses, espanhóis, franceses, ingleses e holandeses disputavam o controle político e comercial dessas terras situadas ao norte do Rio Amazonas. Somente por volta de 1647 Portugal teve sua soberania reconhecida, foi então que Sebastião Lucena de Azevedo, Governador do Maranhão, promoveu uma expedição contra os últimos redutos estrangeiros existentes na região.

Um pouco mais de um século depois Mendonça Furtado elevou Macapá, antes povoado, à categoria de Vila de São José de Macapá, em 04 de fevereiro de 1.758. Após três anos inaugurava-se o mais antigo monumento da cidade de Macapá: a Igreja de São José de Macapá. Constituem as origens do Amapá, esses colonos degredados de Portugal (bandidos, prostitutas, presos políticos, negros africanos ou oriundos da Bahia e do Rio de Janeiro, além dos índios que já habitavam o local a milênios).

A construção da Fortaleza de São José de Macapá e consequentemente a sua inauguração em 19 de março de 1.782 dificultou os ataques dos franceses, que insistiam em resistir, estabelecidos na vizinha Guiana Francesa. O forte levou 18 anos para ser construído e era o maior do Brasil colonial. Em 2007 este monumento foi eleito uma das 7 maravilhas do Brasil. O título maravilha do Brasil se deve por seu valor histórico sua beleza exuberante contornado pelo Rio Amazonas e pelas charmosas praças Beira Rio e Parque do Forte. 

O baixo Amazonas sempre foi muito cobiçado e o povoamento por luso brasileiros seria a única resposta à ambição daqueles estrangeiros. Mesmo após a Independência de 7 de setembro de 1822 o Brasil continuava enfrentando problemas de fronteira com a França que disputavam a região entre o Rio Oiapoque e o Rio Araguari que corresponde quase à metade do território Amapaense.

Os conflitos acentuaram-se ainda mais a partir de 1894, quando se deu a descoberta de ouro em Calçoene. Este fato motivou ainda mais a presença de norte-americanos e europeus especialmente franceses que se instalava às cabeceiras do rio. O cenário destas questões litigiosas com a França foi o município do Amapá. Nos episódios diplomáticos e de enfrentamentos militares que culminaram com a conquista brasileira desse território, destacou-se a figura de Francisco Xavier da Veiga Cabral, o Cabralzinho, que por seus atos de bravura tornou-se figura heróica do Estado. Por fim, em 1900 a brilhante defesa do Barão do Rio Branco, o presidente Hauser, em luminosa sentença, decidiu o litígio em favor do Brasil no tratado da Suíça. As terras em questão foram definitivamente concedidas ao Brasil mas isso não encerrou as pretensões francesas ao território. 

As terras do Amapá foram transformadas em território nacional em 1943, depois de terem sido separadas do Estado do Pará. Três anos após a criação do novo território federal foi descoberto uma jazida de alto teor de manganês no Amapá. Em Janeiro de 1957 com a presença do Presidente Juscelino Kubitschek ocorreu o primeiro carregamento de manganês que saiu das terras do Amapá e embarcou no navio Areti-XS – Baltimore, levando 9.050,05 toneladas de manganês do Porto de Santana. Do município de Serra do Navio foram extraídos e exportados 35 milhões de toneladas do minério, o suficiente para encher 1.166 navios, o que serviu para abastecer principalmente o mercado norte-americano.

No século XIX as principais cidades da Amazônia viveram o apogeu do ciclo da borracha, nativa, extraída dos seringais para abastecer a emergente indústria de pneus no mundo. Já no século XX surge uma nova tentativa de construir um novo império, no município de Laranjal do Jarí onde foi implantado o Projeto Jari, ambicioso programa do mega-empresário norte-americano Daniel Ludwig, ligado à exploração de madeira, ao cultivo de arroz e à produção de celulose, na década de 60. Apesar do grande investimento, o projeto não se consolidou.

Em 1988, o então Território do Amapá foi transformado em Estado e a partir desta data passou a ser um dos estados que mais se desenvolvem no norte do Brasil. Desde o descobrimento do Brasil, a Amazônia é alvo preferencial da cobiça estrangeira devido sua multi-riquezas. Muito já se escreveu sobre o assunto. Assim, só nos resta relembrar alguns episódios que julgamos de maior relevância na caracterização do desejo em internacionalizar a região. Não são poucos os que lutam e nem serão esquecidos os que deram a própria vida para que um dia esse pedaço do Brasil, duramente conquistado num passado heroico, continue sendo protegido contra os que visivelmente tentam usurpar a nossa soberania.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Hoje o Jornal da Redord relembrou o assassinato de José Claudio Ribeiro da Silva e de sua esposa Maria do Espírito Santo. A luta deste bravo casal em prol da preservação da floresta amazonica não deve cair no esquecimento, nem suas mortes devem ser em vão, pois eles foram os verdadeiros "Chico Mendes" dos dias atuais, que deram suas vidas em favor da nossa Amazonia.

domingo, 13 de novembro de 2011


Neste canal de comunicação, os meus leitores conhecerão uma parte da história da Amazonia jamais contada de forma tão descontraída, misturando realidade com ficção para que a leitura se torne mais atraente. Alguns dos conflitos amazônicos são abordados de forma bastante clara facilitando o entendimento até entre as pessoas mais desinformadas sobre o assunto.

O objetivo deste blog é informar a população através de uma obra literária que o seu verdadeiro papel como brasileiro é defender nossas riquezas naturais. Também sensibilizar as autoridades e os empresários de que eles têm a obrigação moral de implantar programas sociais e campanhas eficazes sobre preservação e meio ambiente. 

Do início ao fim da obra entre uma saga e outra iremos acompanhar a história real do Estado do Amapá totalmente romanciada. Este projeto foi desenvolvido com muita atenção para que nem a ficção fuja completamente da realidade.  Podendo ser utilizado como leitura complementar por estudantes em geral.

Por isso, este projeto também tem cunho didático e estará ao alcance de todos que quiserem se informar sobre os mais variados temas da Amazonia. Diariamente serão postados conteúdos do que mais tarde se transformará em um livro. Aproveitem!

  

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Os temas mais discutidos no mundo estão ligados à natureza


Muito se fala sobre a importância da preservação do Meio Ambiente. Aliás, um dos assuntos mais discutidos no mundo referentes ao meio ambiente, estão ligados direta ou indiretamente à Floresta Amazônica, ao Rio Amazonas e ao desperdício inconsequente de água. A escassez da água potável e o aquecimento global são temas de repercussão mundial, mas esta preocupação só vem de quem tem noção da representatividade que a natureza tem no futuro da vida na terra. A América Latina detém cerca de 23% da disponibilidade renovável da água potável de todo planeta graças ao rio Amazonas e seus afluentes, 12% deste percentual está só no Brasil. Isso mesmo! Nosso país possui 12% da água potável superficial de todo o planeta. Mesmo assim devemos nos conscientizar que o problema da falta de água em mais de 70 países nos dizem respeito sim, principalmente quando se vê tanta agressão contra os rios. Infelizmente, o Brasil é um país que não faz o suficiente para evitar a contaminação dos seus rios.

Já sobre o aquecimento global, à princípio, até que se prove o contrário, contesta-se a tese de que a floresta amazônica é o pulmão do mundo. Apenas pessoas desinformadas, ou ainda, pessoas que defendem interesses escusos, defendem tal argumento como defenderiam a última das verdades: as florestas não estão continuamente produzindo oxigênio. Sendo assim, esses interesses estarão defendidos se nos fizerem acreditar que as florestas estão simultaneamente absorvendo gás carbônico (CO²), gás esse em grande parte gerado pelos países industrializados. Porém, não devemos deixar de considerar que através do processo da fotossíntese parte do gás carbônico produzido pelas indústrias é absorvido pela vegetação, o que não significa que a floresta consiga absorver todo o CO² que é liberado na terra, tendo em vista que cada vez mais as indústrias liberam em ritmo frenético o gás carbônico.
                                  
Os países industrializados já se deram conta de que a fonte dos seus lucros não é inesgotável. É o que falam do petróleo por exemplo. Mas isso não os sensibiliza nem um pouco, muito pelo contrário, aumenta ainda mais a sede de destruição em busca de aproveitar o máximo os recursos naturais do planeta. Se eles estão acabando ou não. Ou se eles apenas estão sendo transformados pela ação do homem é um assunto para a ciência.

Não importa que posição devemos tomar diante da discussão sobre o aquecimento global. O que importa é praticarmos o consumo consciente independentemente se isso vai ou não fazer diferença. O que importa é cada um fazer a sua parte. Consumo consciente é também inteligente favorecendo o seu bolso. E sobre a água nem precisamos repetir que ela é sagrada e renovável. Agora quanto mais contaminamos essa água mais caro se tornará purifica-la.
E que posição devemos tomar diante de homens que à custa da ignorância dos nossos caboclos e ribeirinhos vivem em confortáveis e luxuosas mansões? A posição é esta: é se declarar contra esses interesses do dito país de primeiro mundo e ficar à favor dos humildes habitantes da floresta.

Me apresentando para meus leitores

Sou Lanna O'Hara, agora com 34 anos, brasileira, nascida em Macapá - Amapá, Região Amazônica. Academica do curso de Letras da Universidade Estacio de Sá no Rio de Janeiro.

A quatro anos atrás vim construir uma nova vida na cidade maravilhosa. Não foi facil deixar minha adorada terra pra se aventurar numa cultura totalmente diferente da minha. Mas tudo foi em nome de um sonho. E agora este sonho começa a se tornar realidade. De que forma isso vai acontecer ainda não sei. Mas sei que agora vai.

Resolvi criar este blog para divulgar meu trabalho. Publicar aqui minhas idéias. Fazer você viajar pela Amazonia e outros lugares do mundo sem sair da frente do computador. Venha comigo! Embarcar numa história cheia de drama e realidade.